ARTIGO DA VEZ: OS SEGREDOS DA BANDEIRA DE PERNAMBUCO

OS SEGREDOS DA BANDEIRA DE PERNAMBUCO

3/3/20263 min read

Recentemente, em uma reunião de trabalho com meus colaboradores mineiros e paulistas, manifestei a importância de agregar um logo “pernambucano” ao meu ecossistema digital.

Depois de vários estudos de design, concordamos que bastava reproduzir a bandeira do Estado, por si só, uma bela obra de arte.

O pavilhão de Pernambuco sempre aparece, em qualquer lugar do mundo, seja nas arquibancadas de um jogo de Copa do Mundo, seja numa Olimpíada, seja em alguma manifestação política ou religiosa.

Aprendi que nossa bandeira não nasceu como uma peça decorativa, mas como um poderoso arsenal simbólico, afirmando princípios e valores.

Foi criada em 1817, durante a Revolução Pernambucana. O desenho é atribuído ao Padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, mas sua elaboração levou em conta as sugestões de muitos outros revolucionários. É obra coletiva!

Nada nela é gratuito ou meramente ornamental. O branco simboliza a paz, mas não de forma passiva e submissa. Significa clareza ética.

O belíssimo arco-íris representa união e diversidade. Há mais de duzentos anos, Pernambuco já se pensava como espaço plural, mestiço, constituído na diversidade. É a harmonia que nasce da convivência colaborativa entre os diferentes.

O Sol indica energia e vitalidade. É uma metáfora da razão iluminista que dissipa as trevas da ignorância e da subordinação.

A cruz simboliza a fé. Não se trata de submissão ao poder dos clérigos, mas de uma adesão à dimensão ética do cristianismo. Expressa apreço por justiça, dignidade humana e sacrifício pelo bem comum. É uma espiritualidade ativa, que transforma, como aquela do carpinteiro de Nazaré.

A estrela representa autonomia política e a autodeterminação. Mesmo no modelo federativo, o Estado valoriza sua identidade própria e a singularidade de sua história.

O lindo azul evoca o céu, o transcendente, o horizonte aberto, o que não tem fim. Simboliza o porvir, a esperança, o esforço permanente pela construção de uma harmonia mais perfeita entre aqueles que compõem a sociedade.

Trocando em miúdos, é mais do que um projeto gráfico. É uma proposição filosófica, que contempla liberdade, pluralidade, fé, ética, razão, autonomia e semeadura da virtude. Diz muito sobre nós, e sobre nossa vocação histórica para o inconformismo criativo e generoso.

Com trilha sonora

Em Pernambuco, praticamente todo mundo conhece e canta o hino do Estado, nas escolas, nas cerimônias cívicas, nos jogos do Sport, do Náutico e do meu Santa Cruz. Com letra de Oscar Brandão da Rocha e música de Nicolino Milano, foi oficializado em 1908, mas se inspira diretamente na história revolucionária do Estado.

Não é um canto genérico de exaltação, mas invocação de provas de virtude, de propósito virtuoso e de consciência ética coletiva. Agrada-me especialmente essa estrofe:

Salve, ó terra dos altos coqueiros!

De belezas, soberbo estendal

Nova Roma de bravos guerreiros

Pernambuco imortal, imortal!

É uma referência à nossa realidade física, à nossa paisagem, ao nosso território inequivocamente fascinante. Mas faz, ao mesmo tempo, referência a Roma, ao berço da civilização ocidental, à vanguarda civilizatória, à construção antiga dos conceitos de liberdade, justiça e igualdade perante a lei. Somos herança, mas também instrumento de transformação!

Não me parece um hino composto para glorificar o passado, mas para reafirmar uma conduta marcada por integridade, autonomia e coragem. Os pernambucanos cantam a si mesmos e declaram: sabemos de onde viemos, temos orgulho do que somos e estamos prontos para o desafio futuro.

Apenas como comprovação, observem o fervor do frevo: é um mar de bandeiras de Pernambuco!

E o Galo da Madrugada, o maior bloco carnavalesco do mundo, começa o desfile cantando o hino do nosso Estado:

Pernambuco imortal, imortal!