ARTIGO DA VEZ: OS SEGREDOS DA BANDEIRA DE PERNAMBUCO
Nosso pernambuco na tela grande do mundo!
Cultura - Cinema
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1/27/20262 min read


Minha missão desta semana era escreve um texto sobre a magnífica bandeira de nosso Estado, conteúdo destinado a meus canais digitais. De repente, porém, fui interrompido pela notícia de que o filme O Agente Secreto havia recebido quatro indicações ao Oscar 2026, entre elas, de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional.
Antes, a película já havia ganho dois prêmios no Globo de Ouro 2026. Decidi, então, refletir sobre esse sucesso. Afinal, o filme de Kleber Mendonça Filho, da produtora CinemaScópio, aqui do Recife, é resultado de uma longa semeadura do ecossistema cultural pernambucano. Tem raízes na Fundarpe, no Funcultura e em nossa rica história de criação audiovisual.
A partir da obra, o mundo tem visto o Cinema São Luiz, a Galeria Teresa Cristina, a Ponte 6 de Março, a Praça Chora Menino e o Armazém do Porto. E tem conhecido nossa gente, em seus desafios, virtudes e capacidades.
Convém, no entanto, lembrar que o êxito de O Agente Secreto não é acidental. Pernambuco foi um dos primeiros polos cinematográficos do Brasil, no chamado Ciclo do Recife, entre os anos de 1909 e 1930.
Era um cinema artesanal, urbano e moderno, no contexto da Belle Époque recifense, período em que a cidade passou por reformas, ganhou eletrificação e constituiu intensa vida cultural.
Fui pesquisar mais a fundo essa trajetória. Em 1916, foi fundada a Aurora-Film, muito importante para esse movimento, funcionando como estúdio, produtora e escola informal de cinema. É o tempo dos cineastas pioneiros, como Edson Chagas, Ary Severo, Gentil Roiz e Ugo Falangola.
Descobri que, no ano passado, completaram-se 100 anos do icônico Aitaré da Praia, dirigido por Gentil Roiz e roteirizado por Ary Severo. Trata-se de um filme que, como obra de vanguarda, já lança um olhar analítico sobre temas sociais relevantes, como a vida dos pescadores.
Por aqui, sempre houve alguém com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, como Fernando Spencer, o saudoso documentarista que registrou a alma de Pernambuco e do Nordeste em obras como Caboclinhos do Recife e Frei Damião: Um Santo do Nordeste?
Depois, a partir dos anos 1990, assistimos à ascensão de uma nova onda criativa, com cineastas como Claudio Assis, de Amarelo Manga, e Paulo Caldas e Lírio Ferreira, que dirigiram Baile Perfumado, um marco simbólico do cinema pernambucano contemporâneo.
Creio que grandes obras não surgem do nada. Brotam sempre de sociedades que aprendem a pensar sobre si mesmas. Surgem de identidade cultural, de estruturas de fomento e de estímulo à experimentação.
Considero, então, necessário lançar a advertência: com O Agente Secreto, Pernambuco não faz estreia no cinema. Somente honra uma tradição e conquista a visibilidade merecida.
